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7 April, 2003 10:43
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Visconde
de Taunay
Alfredo
d' Escragnolle Taunay nasceu no Rio de Janeiro
a 22 de fevereiro de 1843. Pertencia a uma culta
e refinada família francesa, em que predominava
os artistas plásticos. Certamente por causa
disso, Alfredo manifestou amor às artes
desde muito pequeno: literatura, desenho e música
o atraíam, para satisfação
dos pais.
Teve
a melhor educação que o Brasil da
época podia oferecer a suas elites. Em
1858 com quinze anos, formou-se pelo Colégio
Pedro II, que, mantido pelo impera-dor, era a
escola-padrão do ensino secundário
e a única habilitada a realizar os exames
vestibulares para os cursos de nível superior.
No ano seguinte, 1859, in-gressou no curso de
Ciências Físicas e Matemáticas
da Escola Militar (antecessora da atual Academia
Militar das Agulhas Negras).
Entre
1862 e 1864, inscreveu-se no segundo ano de Engenharia
Militar, mas logo teve de interromper o curso
em 1865, o Brasil entrou em guerra com o Para-guai,
e os alunos oficiais foram mobilizados.
Taunay
fez parte da Expedição de Mato Grosso,
como ajudante da Comissão de Engenheiros.
A guerra e o sertão foram para o jovem
Alfredo uma experiência marcante, em todos
os sentidos. O militar foi promovido a primeiro-tenente
e veio a integrar o Estado Maior do conde D'Eu,
marido da princesa Isabel e comandante chefe das
tropas brasileiras na última fase da guerra.
O literato foi definitivamente reconhecido quando
recebeu o encargo de escrever o Diário
do Exército (isto é, o relato oficial
das ações militares). O desenhista,
amante das paisagens brasileiras, registrou locais
de enorme beleza.
Sobretudo,
o homem amadureceu naquele momento de lutas acirradas,
presen-ciando episódios de grande sofrimento
e heroísmo, como a retirada de uma coluna
brasileira perseguida pelas forças paraguaias.
Dessa experiência surgiu em 1868 seu primeiro
livro, Cenas da vida brasileira, com textos não
ficcionais.
Teve
também em sua obra e, por extensão,
na própria literatura brasileira: "militar,
enfronhado com problemas práticos, é
particularmente um caso raro na literatu-ra do
tempo, para a qual trouxe uma rica experiência
de guerra e sertão, depurada por sensibilidade
e artes plásticas.
Em
1870, terminada a guerra, Taunay retornou ao Rio
de Janeiro; promovido a capitão, conclui
o curso de Engenharia Militar e assumiu interinamente
a cadeira de Geologia e Mineralogia da Escola
militar: No mesmo ano, adotou o pseudônimo
Sílvio Dinarte (com que assinara a maior
parte de suas histórias) e lançou
o primeiro romance, A mocidade de Trajano. O livro
segue modelos românticos da literatura da
época.
Taunay,
militar experimentado, sabia o quanto o Exército
Brasileiro devia aos soldados negros e via a justiça
da causa abolicionista.
A
seguir, Taunay deixou um pouco de lado a ficção
e tornou a abordar a experi-ência de Mato
Grosso em 1871, publicou em Paris, em francês,
A Retirada da La-guna.
O
ano de 1872 marcaria o ponto alto de sua carreira
literária com a publicação
de Inocência.
Taunay
resolveu lançar-se também na política
e ainda em 1872, elegeu-se de-putado do Partido
Conservador por Goiás.
Depois,
em 1874, casou-se com a filha do poderoso e riquíssimo
barão de vas-souras.
Em
1875, foi reeleito.
Em
1876, é nomeado presidente da província
de Santa Catarina (equivalente ao atual cargo
de governador).
A
despeito dos cargos oficiais, Taunay não
deixara de escrever; tendo publicado outros livros,
obras de importância documental.
De
volta ao brasil em 1880, lançou-se numa
intensa campanha em prol do ca-samento civil,
da libertação gradativa dos escravos,
da imigração e da naturalização
dos estrangeiros.
Elegeu-se
mais uma vez deputado, com mandato que se estendeu
de 1881 a 1884. Em 1885, demitiu-se do exército
e assumiu outra presidência de província,
a do Paraná, onde aplicou sua política
imigratória. Deixou o cargo em 1886 e elegeu-se
senador. Nessa época Taunay desfrutava
de grande reputação política
quanto literária. Conquista a amizade de
D. Pedro II, maior símbolo de prestígio
no segundo Reinado.
Chegou
melancolicamente ao fim: em 1889, pouco depois
de ter recebido o ti-tulo de Visconde, veio a
proclamação da República.
Taunay era intransigentemente monarquista e, com
apenas 46 anos, abandona para sempre a política.
Publicou ainda algumas obras com características
românticas.
Morreu
no Rio de Janeiro, em 1889. Deixava muitos escritos
inéditos, que sua família publicou
ao longo da primeira metade do século XX.
Jussara
Flores de Oliveira
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