7 April, 2003 10:42
 

Da didática infernal
breves palavras a respeito do caráter do Diabo na obra de
Alvares de Azevedo

"Mas o mundo é do Diabo, assim como o céu é dos tolos"

        A relação intrínseca entre o Diabo e o Poeta - e, por extensão, a própria Poesia - é defendida por Giovanni Papini em seu O Diabo, livro no qual o filósofo italiano traça o itinerário de Satan enquanto figura do imaginário não só ocidental, mas de várias culturas.

"E os poetas, bastante mais sensíveis que os teólogos
não ficaram enredados nas artimanhas de Satan e cuidaram
em manter a sua terrível figura aos olhos de muitos."1


        Papini apoia-se em toda um linhagem de autores que consagraram grande parte de suas obras ao Demônio, trazendo nomes como os de Tasso, Vondel, Calderón de la Barca, John Milton e DeVigne, mas, principalmente, alguns dos mais acentuados expoentes do movimento romântico, como o Goethe do Sturm und Drung, Victor Hugo, Leopardi e, como não poderia deixar de ser, Lord Byron.
        Sendo assim, se essa relação entre o Diabo e a Poesia realmente existe, ela jamais alcançou uma expressão mais alta do que no Romantismo. E é aqui que reside a questão que deu origem a essas breves considerações : Por que razão os românticos teriam escolhido o Demônio como mecenas? De que maneira ele se faz presente na obra de seus cantores?
        Papini encontra explicação para isso no simples fato de que o Romantismo, sendo uma escola fundada por jovens, tinha a pressa e a impaciência inerente à juventude. Dessa impaciência nascia a necessidade imperiosa de subverter completamente todas as estruturas, quebrando completa e o mais rapidamente possível os grilhões do Neo-Classicismo que a antecedera e limitara a criação artística aos antigos e despóticos modelos de imitação. Assim sendo, a melhor maneira de provocar escândalo, de promover o choque estético dentro de sociedades regradas, construídas dentro dos rígidos preceitos cristãos - fossem elas sociedades luteranistas ou romanas -, acostumadas aos conceitos maniqueístas estagnados de Bem e Mal, era escrever, e publicar, verdadeiras apologias do Demônio, como em Os Bandoleiros de Schiller; Ou, como fizera Byron, em seu Cain, numa Inglaterra acossada pelo puritanismo, reler um mito bíblico básico sob uma ótica completamente nova, onde o Bem e o Mal já não são tão facilmente identificáveis por não serem absolutos; Ou, ainda, Alvares de Azevedo, ao seguir os passos de Goethe, em seu Fausto, e dedicar todo um drama às conversas do jovem Macário com Satan, numa ousada obra, uma das poucas aparições do Demônio personificado na literatura brasileira.
        Mas viria essa relação tão íntima, quase simbiótoca, dos românticos com Satan dessa mera necessidade de escandalizar as sociedades que os circundavam? Creio válida a afirmação de Papini, mas acredito que a fascinação romântica pelo adversário vá mais além. Talvez seja algo para o qual encontraremos explicação na essência de ambos, uma gênese comum, por que não? A chave para o mistério está na natureza do Romantismo e na natureza de Lúcifer.

"Eu sou o Diabo. Boa noite, Macário..."2


        Com essa frase, Alvares de Azevedo é o primeiro romântico brasileiro a dar voz ao Demônio, a conceder-lhe o dom da palavra, o Verbo.
        O Verbo é o atributo da Divindade, o limite entre o sagrado e o profano. O Verbo é a divindade em si, assim como Cristo foi a palavra de Deus que se fez carne e sangue. Concedendo-lhe o poder da fala, o autor de Macário está indo além da pura e simples apologia ao Demônio. O Diabo da pena de Alvares de Azevedo está muito próximo do plano divino.
        E estando esse Diabo do Macário presente ao longo de quase toda a obra do autor, não seria um absurdo conjecturar que esse personagem, enquanto figura imgética, supera a própria Natureza - divindade máxima dos românticos - na obra de Alvares de Azevedo. Isso o colocaria em uma posição particularmente estranha ao movimento romântico brasileiro, com as palmeiras e sabiás de Gonçalves Dias ou os índios perfeitamente europeus de Alencar. O autor de Macário não traz a natureza idílica para dentro de sua obra, ou, sequer, o elemento do nacionalismo para dentro de seu cosmo. A natureza que aparece aqui não é aquela com letra maiúscula, ela entra apenas como um pano de fundo para os acontecimentos, não mais como uma projeção da alma do próprio poeta. O Demônio e a Morte, estes sim, são os personagens centrais do mundo de Alvares de Azevedo. Mas, afinal, por que essa inversão de valores estéticos? Por que não mais a Natureza idílica e sim a degradação do Diabo?
        O Romantismo foi uma escola guiada pelos preceitos básicos de amor exacerbado, no campo temático, e rebeldia formal contra os modelos neo-clássicos considerados opressores e ultrapassados. Encarando o movimente por este prisma, ninguém melhor do que o próprio Lúcifer representaria todo esse ideário.

"O ciúme e a inveja são, incontestavelmente
sentimentos indignos de uma ciratura angélica e, em
Lúcifer tornaram-se tão arrebatadores e potentes que
o induziram à revolta contra o Criador" .3


        Cíume é um sentimento com profundas raízes cravadas no amor. É a manifestação de alguém que sente sua posição de ser amado ameaçada por um terceiro elemento. Se Lúcifer sente ciúme é somente por amar a Deus de forma extrema. E essa manifestação de amor extremado o leva à rebelião, uma atitude própria do amante rejeitado, a destruiçaõ do objeto amado:

"E assim, a segunda etapa do processo vem
a ser a revolta contra o objeto amado e o desejo
inconscinete de destruí-lo, uma vez tornado inacessível".4


        Se Lúcifer é um anjo que ama o Altíssimo de forma extremada e por ciúme do homem, criatura menos perfeita, se rebela contra Deus, numa redução um tanto quanto temerária, encontraríamos na gênese de Satan dois elementos básicos, formando uma espécie de equação comum ao Diabo e ao ideário romântico : amor exacerbado + rebeldia. Em outras palavras, o Diabo é o ideário romântico. Como Cristo foi a personificação da palavra de Deus, o Diabo o é em relação ao Romantismo.
        Dessa forma, ao colocar o Demônio no centro de seu universo lírico, Alvares de Azevedo não está fazendo nada além de reservar o devido espaço ao herói romântico por excelência, alguém mais perfeito - dentro do ponto de vista do Romantismo - do que o Peri de Alencar. A bem da verdade, não é uma apologia a Satan, o que faz o autor, mas uma apologia ao próprio espírito do Romantismo.
        Encontraremos, ao longo das páginas de Macário, a comprovação de que o Satan de Alvares de Azevedo é uma espécie de enciclopédia romântica, o guardião do tesouro romântico, um verdadeiro professor que tenta introduzir o jovem e descrido Macário no caminho do Romantismo. O estudante de direito é tudo aquilo que Alvares de Azevedo não foi. Satan, tudo o que ele gostaria de ter sido.

"Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema,
mais de um beijo do que do soneto mais harmonioso. Quanto
ao canto dos pássaros, o luar sonolento, as noites límpidas, acho
isso tudo sumamente insípido. Os passarinhos sabem só uma
cantiga e o luar é sempre o mesmo e este mundo é monótono a
fazer morrer de sono".5


        Palavras fortes que jamais teriam sido prinunciadas por um homem do romantismo. Macário nos é apresentado no primeiro episódio como um anti-romântico convicto, um completo cínico. Isso fica bem claro em sua afirmação sobre a poesia:

"Enquanto ela era a moeda de ouro, que corria na
mão dos ricos, ia muito bem. Hoje tornou-se de cobre;
não há mendigo que não possua esse vintém azinhavrado."6


        É certo que, se por um lado essas palavras vão ao encontro da idéia romântica de que Poesia é algo divino, divinamente inspirada, por outro elas batem de frente com o pensamento de Wordsworth, em seu prefácio às Baladas Líricas, onde é disseminado um ideal de poesia para todos:

"Portanto, o principal objetivo a que me propus nestes
poemas foi escolher incidentes e situações da vida comum e
narrá-las ou descrevê-las totalmente, tanto quanto possível,
com a escolha de uma linguagem realmente utilizada pelas
pessoas... Escolheu-se de, de modo geral, a vida humilde e
rústica porque, nessas condições, as paixões essenciais do
coração encontram melhor solo para atingirem a maturidade."7


        Ou seja, o embate entre duas concepções diametralmente opostas a respeito da sociedade: de um lado, Macário, elitista, nadando contra os brados libertários do Romantismo; do outro, Wordsworth, considerando a vida simples como o terreno ideal para que as paixões humanas florescessem, e, com elas, a poesia. O próprio Macário ira dizer à Satan, ainda reafirmando seu caráter não-romântico, alguns parágrafos mais tarde:

"Primeiramente, o mar pe uma coisa soberbamente
insípida... O enjôo é tudo o que há de mais prosaico...

E enjoais a bordo, Macário?

É a única semelhança que tenho com D. Juan"8


        Realmente, um romântico jamais veria o mar por tal prisma, o mesmo mar, que é uma imagem recorrente não só na poesia do próprio Alvares de Azevedo, mas em todo o Romantismo, de maneira geral. E a tudo isso, Satan assiste irônico, para dizer:

"Não sabes que para o metal bruto se derreter
é necessário o calor de um fogo ardente ou a centelha
magnética?"9


        É assim que o Diabo vê o jovem Macário. Ele é um metal a ser malhado na bigorna de Satan. Malhado e moldado até que se torne um romântico, até que aprenda tudo o que o Demônio tem a ensinar. E o local para a aprendizagem não poderia ser outro que não um cemitério. Satan conduz Macário até uma campa e faz com que ele adormeça sobre um túmulo, insuflando-lhe sonhos, numa clara referência à fuga romântica da realidade através do sonho. Macário sonha com:

"Um ar abafado... sem nuvens e sem estrelas!
Que escuridão! Depois vi uma forma de mulher pensativa.
Era nua... O seu corpo parecia de mármore. Seus olhos eram
belos, os lábios brancos e as unhas arroxeadas. Seu cabelo era
loiro, mas tinha uns refelxos de branco...

E tua a viste parar numa torrente que transbordava de cadáveres,
tomá-los uma a um nos braços sem sangue, apertá-los gelados
naqueles seios de gelo, revolver-se, arquejar... E erguer-se depois,
sempre com um sorriso amargo.

Quem era esta mulher?

Era um anjo. Há cinco mil anos ela tem o corpo da mulher
e o anátema de uma virgindade eterna. Todas as sedes, todos
os apetites lascivos, mas não pode amar. Todos aqueles em
quem ela toca, se gelam."10


        A mulher representa o amor carnal, tão desdenhado pela idealização romântica. Ele se afigura como o contato entre seres sem vida : uma forma marmórea, etérea, quase um fantasma a se esfregar lascivamente em cadáveres, cascas sem alma. O amor sensual, o sexo, leva à infelicidade, a erguer-se depois sempre com um sorriso amargo. Primeira lição de Macário: não existe amor longe do espírito. As almas amam, os corpos são meros receptáculos.

"E o que mais viste?

Estrelas derramando lágrimas de fogo. Que estrela
era aquela que caiu do céu?

É um filho que seu pai enjeitou, é um anjo que desliza na
Terra. Amanhã talvez o encontremos. A pérola talvez se
enfie no colar de bagas impuras, talvez o diamante se
engaste em cobre. Aposto que daqui a um momento será
uma mulher".11


        Segunda lição de Macário: a mulher é um anjo caído. Divina, porém engastada em cobre, corrompida, pérfida. A perfídia que a torna tão apaixonante, a perfídia da belle dame sans merci, a donzela romântica arquetípica. Como estrela cadente, a mulher está aqui íntimamente ligada a Lúcifer, que foi precipitado dos céus sob a forma de uma bola de fogo, e caiu na Terra, onde governaria. A mulher é deliciosamente diabólica.

        E o Macário que encontramos no segundo episódio, sem dúvida, está mudado. Se na estalagem, bebendo Madeira ao lado de Satan, o jovem bradava com orgulho nunca ter encontrado uma mulher que lhe despertasse o

"...sentimento casto e puro que faz cismar
o pensativo, que faz chorar o amante na relva onde
passou a beleza, adivinhar o perfume dela na brisa,
perguntar às aves, à manhã, à noite, às harmonias
da música que melodia é mais doce que sua voz..."12



aquele que conversa com Penseroso à beira de um caminho brada que está ébrio:

"Ébrio sim! Ébrio de amor! Vivi mais nessa noite
do que em todo o resto de minha vida. Um mundo
novo se abriu ante mim. Amei... É um anjo que nos
adormece e em seus lábios nos leva a uma região de
sonhos e harmonias desconhecidas. Sua alma se perde
conosco num infinito de amor, como essas aves que
voam a noite e se mergulham no seio do mistério."13

E vai além. Por incrível que pareça, ergue a própria voz em defesa... da poesia:

"O que é a poesia?... Não é porventura essa
comoção íntima de nossa alma com tudo que
nos move as fibras mais íntimas, com tudo o que
é belo e doloroso?"14


        Mas Macário ainda não está completamente educado. Embora Satan tenha conseguido plantar a semente, ela ainda precisa ser nutrida para que forneça os frutos certos. E o Diabo sabe disso. Assim sendo, para nutrir esse gérmen, Satan arrasta Macário até uma taverna, onde acontece uma orgia:

"Vais ler uma página da vida, cheia de sangue e vinho.
O que importa?"15


Olhando pela janela da taverna, Macário vê:

"Uma sala fumacenta. A roda de uma mesa estão sentados
cinco homens ébrios. Os mais revolvem-se no chão. Dormem ali
mulheres desgrenhadas... umas lívidas... outra vermelhas... Que noite!"16


        O que Macário nos descreve é exatamente o cenário da Noite na Taverna, onde Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Herman e Johan, embalados pelo vinho e pelo conhaque, envoltos na fumaça de seus charutos, evocam fantasmas do passado com suas tétricas histórias de amor, paixão e morte, a ilustração das lições de Satan. Essas narrativas são o exemplo perfeito de até onde a paixão é capaz de levar o homem. Sim, pois o único elo de ligação entre as narrativas dos cinco boêmios de Alvares de Azevedo são a paixão, em seu estado mais próximo da obssessão, e a morte.

        Satan mostra ao jovem Macário o limite entre o Eros e o Thanatos. Os personagens que entram em cena - e é interessante a forma como Macário passa de personagem de um drama à platéia de outro - andam eternamente sobre a linha que delimita o insano: Solfieri ao apaixonar-se por um fantasma que passa à cadáver; Bertram ao alimentar-se de carne humana e assistir o mar arrebatar o corpo da amada de seus braços; Gennaro ao levar a desonra e a morte para dentro da casa de seu mestre; Claudius ao invadir a alcova da mulher por quem era fascinado, seqüestrá-la e encontrá-la morta nos braços de seu verdadeiro amor; e , finalmente Johan, ao cometer o incesto com a própria irmã.

        O Diabo arma toda uma pantomima que irá dizer ao seu pupilo que, embora a paixão romântica leve sempre ao túmulo, ela é fascinante, vale a pena. É o que nos fala a epígrafe de José Bonifácio:

"Bebamos, nenhum canto de saudade!
Morrem na embriaguez da vida as dores!
Que importam sonhos, ilusões desfeitas?
Fenecem como as flores!"19


        É o que o próprio Satan, disfarçado de velho, irá bradar, interrompendo a narrativa de Bertram: "Miséria e loucura!" Eis o que se pode obter do amor para um poeta que nasceu sob o signo do Mal do Século. Miséria e loucura, sim, mas que ele sorve até a última gota:

"Enchei as taças, enchei as taças e bebei a
lembrança do poeta louco!"20


        Porque Satan sabe que, no fundo, é o que resta. Ele tem consciência de que empurra Macário para o campo de batalha onde será travada uma luta inglória. Entretanto, também sabe que o que vale, realmente, é a luta em si, e não apenas a vitória. Lembrando a epígrafe geral de Noite na Taverna:

"How now, Horatio? You tremble and look pale.
Is not this something more than phantasy..."21


        O que não passa de fantasia? A utopia romântica do amor eterno? A utopia de Lúcifer de destronar o Criador? Mais uma vez temos a confirmação do caráter romântico de Satan. Somente um romântico caçaria pelo amor à caça, lutaria pelo simples prazer da luta. Ele sabe que não haverá vencedor, mas se atira de peito aberto, o que Macário jamais faria antes de ter adormecido sobre aquele túmulo. Macário, agora, está pronto.

        Segundo Antônio Cãndido, Macário e Noite na Taverna fariam parte de um projeto maior, provavelmente uma trilogia. E certamente é uma pena que a grande obra de Alvares de Azevedo - se aceitarmos a idéia de Antônio Cãndido - tenha ficado incompleta. Seria esse terceiro volume o fechamento. Nele, ficaríamos sabendo o que o jovem Macário faria com todas as histórias fantásticas que ouviu, com todos os ensinamentos que sorveu, com esse segundo sonho sobre o túmulo que Satan lhe põe perante os olhos. Julgaria ele que vale a pena passar pelo purgatório quando o paraíso parece tão efêmero, ou continuaria sendo o mesmo Macário que atira as couves à cara da taverneira? Teria Satan se saído bem em mais uma de suas tentações, ou simplesmente fracassado, como na batalha celeste? Mas a questão é: Pode alguém que bebeu vinho com o Demônio e o teve como companheiro de viagem sair intacto dessa relação? Acredito que não. Macário teria sido um arquétipo romântico forjado pelo martelo do Diabo, a vitória definitiva da Estrela da Manhã. Quem sabe Macário não viesse a ser poeta? Talvez ele até pudesse ser o autor da primeira parte da Lira dos Vinte Anos...

Mas isto são apenas conjecturas.



Notas

1 - PAPINI, Giovanni. O Diabo. Unibolso, Lisboa, p. 107.
2 - AZEVEDO, Alvares de. Macário e Noite na Taverna. in Obras. Garnier, SP, p.266. As demais citações do autor referem-se a esta edição.
3 - COUSTÉ, Alberto. Biografia do Diabo. Rosa dos Tempos, SP, 1996, p. 28.
4 - GRASSI, Eduardo. Arte e Mito. Livros do Brasil, Lisboa, p. 134.
5 - AZEVEDO, Alvares. Op. Cit. p.257.
6 - Idem. Ibid. p.258.
7 - LOBO, Luiza. Teorias Poéticas do Romantismo. Mercado Aberto / UFRJ, Porto Alegre, p.170.
8 - AZEVEDO, Alvares de. Op. Cit. p.259.
9 - Idem. Ibid. p.282.
10 - Idem. Ibid. p.282.
11 - Idem. Ibid. p.284.
12 - Idem. Ibid. p.260.
13 - Idem. Ibid. p.294.
14 - Idem. Ibid. p.306.
15 - Idem. Ibid. p.330.
16 - Idem. Ibid. p.330.
17 - Cabe aqui uma pequena refelxão sobre a relação entre a Morte e o Diabo. Uma vez que a morte só surge, no texto bíblico, após a queda do par edênico, por terem provado do fruto proibído e se essa queda é uma conseqüência direta da tentação de Satan sobre Eva, não soa absurdo considerarmos a Morte como uma espécie de cria do Diabo. Dessa forma, a presença da Morte ao longo das narrativas de Noite na Taverna poderia ser encarada como a presença do próprio Demônio, não de forma ostensiva e marcada, como no Macário, mas encoberta e velada, talvez imperceptível por causa dos vapores do vinho e da fumaça que emprestam ao ambiente uma atmosfera de sonho.
18 - É interessante lembrar que a idéia do incesto está presente na biografia de Lord Byron, e, segundo alguns críticos, na do próprio Alvares de Azevedo, embora esse último tenha se mantido apenas no plano da intenção, do platonismo, enquanto o inglês fora mais longe. A respeito desse tema ver o Alvares de Azevedo Desvendado, de Vicente de Azevedo. A referência completa está na bibliografia.
19 - AZEVEDO, Alvares de. Op. Cit. p. 302.
20 - Idem. Ibid. p.359.
21 - Idem. Ibid. p.331.



BIBLIOGRAFIA


AZEVEDO, Alvares de. Macário e Noite na Taverna. in Obras, Garnier, RJ.
AZEVEDO, Vicente de. Alvares de Azevedo Desvendado. Martins, SP. INL, Brasília, 1977.
BROCA, Brito. Romantismo, Pré-Romantismo e Ultra-Romantismo. Pólis, SP, 1979.
PAPINI, Giovanni. O Diabo. Unibolso, Lisboa.
COUSTÉ, Alberto. Biografia do Diabo. Rosa dos Tempos, SP, 1996.
PRAZ, Mário. A Carne, a Morte e o Diabo na Literatura Romântica. Unicamp, SP, 1996.
LOBO, Luiza. Teorias Poéticas do Romantismo. Mercado Aberto / UFRJ, Porto Alegre.
GRASSI, Eduardo. Arte e Mito. Livros do Brasil, Lisboa.

Róger Monteiro

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