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Joubert
Di Mauro - Curso Interativo de Tupi
Dividido
em 4 aulas e aprofundamentos por e-mail diretamente
com o autor.
Curso
Interativo de Tupi - Terceira Aula
VERBOS
Em
Tupi o verbo se conjuga com partículas
que vêm antes dele e não como no
português, por mudanças nas terminações.
Um exemplo clássico do modo indicativo:
Em
português: eu mat - o tu mat - as ele mat
- a nós mat - amos vós mat - ais
eles mat - am
Em
tupi xe a - jucá nde re - jucá i
o - jucá ore ore - jucá pe pe -
jucá i o - jucá na segunda pessoa
do singular usa-se também ere na primeira
do plural usa-se também oro usa-se também
jandé, ou yané, também na
primeira do plural, quando queremos indicar "nós
todos". usa-se também pee(~). til
sôbre o e final, na segunda do plural. Com
tais partículas precedentes conjugamos
os verbos dispensando-se até os pronomes
pessoais.
Não existem verbos auxiliares na língua
tupi. Os verbos, aicó ou icó, que
significa ser, estar e recô que significa
ter,possuir, são empregados sem obrigatoriedade,
porque quando no tupi se diz: xe catu, ou seja,
eu bom, está implícito o eu sou
bom. Icó e recô são evidentemente
usados como auxiliares quando o sentido de uma
frase dúbia assim o exigir.
Em
geral a voz do verbo é sempre a mesma para
expressar, presente, pretérito, mais que
perfeito... mas, dependendo do sentido da frase,
ajucá pode ser: eu mato, eu matava, eu
matei, matara ou eu tinha morto ojucá pode
ser: ele mata, ele matava...etc. e também
eles matam, eles matavam...etc. orejucá
: matamos, matávamos etc. Para firmar o
sentido da frase, porém, quanto ao tempo
do verbo e em não se sabendo o contexto
da frase, empregam-se partículas e até
advérbios esclarecedores.
Exemplos
de outros tempos verbais: Passado: ajucá
umã=eu matei, acaruramó=eu comi
(usa-se também, coiré) Condicional:
ajucá mo=eu mataria, acarumo=eu comeria
Futuro: ajucá ne=eu matarei, acarune=eu
comerei (usa-se também,rama,reme,mirã)
Gerúndio: jucá bo=matando, carubo=comendo
Imperativo: ejucá =mate, ecaru=come Para
conjugar os verbos na forma negativa, basicamente,
coloca-se a partícula negativa nda, que
toma, também, as formas - nd`,na, n` -
por eufonia e o sufixo átono i no final
do verbo. Ex." nd`ajucá i=não
mato
Para
fins de exercício convém desenvolver
os exemplos acima. Isto é importante porque
o capítulo mais difícil da gramática
e da própria índole da língua
tupi é o que trata dos verbos, tantas são
as regras, terminações, partículas,
além de advérbios e outras variadas
formas de construção verbal, citadas
pelos primeiros autores, que é mesmo difícil
aplicá-las com segurança.
Os
autores mais modernos, pior ainda, quizeram arrolar
tantas variações sutis de formas
verbais que criaram mais dificuldade ainda. Entretanto
não vale desanimar, com a prática,
no construir de frases e no traduzir, a gente
acaba
percebendo
que, por exemplo: ndacaru-ramói significa
que ainda não comí, que acaru-rama,
significa que eu hei de comer e caru-mirã
é comerei depois, ou futuramente.
Sem
muita regra, no ouvido, a gente acaba percebendo
que deve ser assim mesmo. Talvez um certo sentido
onomatopéico que funciona, independentemente
de se estudar com meticulosidade todas as regrinhas,
excessões e irregularidades dos verbos.
No português igualmente é assim,
além do que dificilmente empregamos também
formas mais sutis, como por exemplo, o vós,
segunda pessoa do plural, embora o estudemos na
gramática.
Voltaremos
ao assunto , apresentando exceções
e outras construções menos usuais
em outra parte de nosso curso.
Dúvidas,
comentários, sugestões. Passe um
email agora:
tupi@painet.com.br
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