7 April, 2003 10:42
 

Joubert Di Mauro - Curso Interativo de Tupi

Dividido em 4 aulas e aprofundamentos por e-mail diretamente com o autor.



Curso Interativo de Tupi - Terceira Aula

VERBOS
Em Tupi o verbo se conjuga com partículas que vêm antes dele e não como no português, por mudanças nas terminações. Um exemplo clássico do modo indicativo:

Em português: eu mat - o tu mat - as ele mat - a nós mat - amos vós mat - ais eles mat - am

Em tupi xe a - jucá nde re - jucá i o - jucá ore ore - jucá pe pe - jucá i o - jucá na segunda pessoa do singular usa-se também ere na primeira do plural usa-se também oro usa-se também jandé, ou yané, também na primeira do plural, quando queremos indicar "nós todos". usa-se também pee(~). til sôbre o e final, na segunda do plural. Com tais partículas precedentes conjugamos os verbos dispensando-se até os pronomes pessoais.

Não existem verbos auxiliares na língua tupi. Os verbos, aicó ou icó, que significa ser, estar e recô que significa ter,possuir, são empregados sem obrigatoriedade, porque quando no tupi se diz: xe catu, ou seja, eu bom, está implícito o eu sou bom. Icó e recô são evidentemente usados como auxiliares quando o sentido de uma frase dúbia assim o exigir.

Em geral a voz do verbo é sempre a mesma para expressar, presente, pretérito, mais que perfeito... mas, dependendo do sentido da frase, ajucá pode ser: eu mato, eu matava, eu matei, matara ou eu tinha morto ojucá pode ser: ele mata, ele matava...etc. e também eles matam, eles matavam...etc. orejucá : matamos, matávamos etc. Para firmar o sentido da frase, porém, quanto ao tempo do verbo e em não se sabendo o contexto da frase, empregam-se partículas e até advérbios esclarecedores.

Exemplos de outros tempos verbais: Passado: ajucá umã=eu matei, acaruramó=eu comi (usa-se também, coiré) Condicional: ajucá mo=eu mataria, acarumo=eu comeria Futuro: ajucá ne=eu matarei, acarune=eu comerei (usa-se também,rama,reme,mirã) Gerúndio: jucá bo=matando, carubo=comendo Imperativo: ejucá =mate, ecaru=come Para conjugar os verbos na forma negativa, basicamente, coloca-se a partícula negativa nda, que toma, também, as formas - nd`,na, n` - por eufonia e o sufixo átono i no final do verbo. Ex." nd`ajucá i=não mato

Para fins de exercício convém desenvolver os exemplos acima. Isto é importante porque o capítulo mais difícil da gramática e da própria índole da língua tupi é o que trata dos verbos, tantas são as regras, terminações, partículas, além de advérbios e outras variadas formas de construção verbal, citadas pelos primeiros autores, que é mesmo difícil aplicá-las com segurança.

Os autores mais modernos, pior ainda, quizeram arrolar tantas variações sutis de formas verbais que criaram mais dificuldade ainda. Entretanto não vale desanimar, com a prática, no construir de frases e no traduzir, a gente acaba

percebendo que, por exemplo: ndacaru-ramói significa que ainda não comí, que acaru-rama, significa que eu hei de comer e caru-mirã é comerei depois, ou futuramente.

Sem muita regra, no ouvido, a gente acaba percebendo que deve ser assim mesmo. Talvez um certo sentido onomatopéico que funciona, independentemente de se estudar com meticulosidade todas as regrinhas, excessões e irregularidades dos verbos. No português igualmente é assim, além do que dificilmente empregamos também formas mais sutis, como por exemplo, o vós, segunda pessoa do plural, embora o estudemos na gramática.

Voltaremos ao assunto , apresentando exceções e outras construções menos usuais em outra parte de nosso curso.

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