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Angústia
- Graciliano Ramos - Modernismo de 30
Angústia
é um relato aflito das frustrações
de Luís da Silva, personagem central. Este
é um funcionário público
que trabalha na diretoria da fazenda escrevendo
artigos por encomenda. Jornalista e com pretensões
literária.
Faz
constantes alusões a sua infância
- relata várias histórias desse
tempo por todo o decorrer do livro. Seu avô,
o velho Trajano, chegou a ter poder e escravos.
Seu pai, Camilo Pereira da Silva, pegou os negócios
na fazenda quando iam mal. Aos catorze anos perde
o pai. "Desejava em vão sentir a morte
de meu pai. Tudo aquilo era desagradável.
[...] Que iria fazer por aí à toa,
miúdo, tão miúdo que ninguém
me via?". Vai para a cidade, onde passou
fome até se estabelecer com emprego.
Sempre
foi muito isolado. "Eu ia jogar pião,
sozinho, ou empinar papagaio. Sempre brinquei
só." Passa horas no café, conversando
com Moisés, judeu com ideias comunistas,
mas não presta atenção. Pensa
nas suas dívidas e prestações.
Vive agitado, antigas imagens o perseguem, não
consegue trabalhar, em tudo vê Julião
Tavares e Marina. Esse é seu estado atual.
A
cerca de um ano, quando os negócios iam
tranqüilos e equilibrados, avista pela primeira
vez uma nova vizinha: Marina. Moça nova
e bonita. Fica a observá-la até
travar uma amizade que evolui para namoro. Se
encontravam no quintal da casa.
Marina
gostava de luxo, admirava D. Mercedes: "uma
espanhola madura da vizinhança, amigada
em segredo com uma personagem oficial que lhe
entra em casa alta noite." D. Adélia,
mãe de Marina, pede a Luís que arranjasse
um emprego para a filha. Marina não se
interessa por tal. Lia romances fúteis
e falava frivolidades. Como ela não permitia
maiores intimidades e Luís da Silva gostava
muito dela; ficaram noivos.
Em
uma festa no Instituto Histórico, Luís
da Silva conhece a figura de Julião Tavares.
Sujeito gordo, vermelho, risonho, patriota, falador
e escrevedor. Católico e reacionário.
Defensor de um governo forte. E Julião
Tavares "dias depois fez-me uma visita. Em
seguida familiarizou-se. Era Luís para
aqui, Luís para alí, elogios na
tábua da venta, só com o fim de
receber outros. Não tenho jeito para isso.
Duas, três horas de chateação,
que me deixavam enervado, besta, roenda as unhas."
Luís
da Silva gasta muito dinheiro com os arranjos
para o casamento. Compra roupas que Marina recebe
com desdém. Comprou um anel que ela nem
chegou a usar.
Até
que "ao chegar à Rua do Macena recebi
um choque tremendo. Foi a decepção
maior que já experimentei. À janela
da minha casa, caído para fora, vermelho,
papudo, Julião Tavares pregava os olhos
em Marina, que, da casa vizinha, se derretia para
ele, tão embebida que não percebeu
a minha chegada." Seguem-se discussões
até que Luís da Silva para de falar
com Marina e esta começa a namorar com
Julião Tavares. "Se eu não
tivesse cataratas no entendimento, teria percebido
logo que ela estava com a cabeça virada.
Virada para um sujeito que podia pagar-lhe camisas
de seda, meias de seda."
Ele
espreitava os dois e começava a ter alucinações
e devaneios. Apesar de tudo, Luís da Silva
ainda nutria esperança que Marina fosse
sua: "Se Marina voltasse... Porque não?
Se voltasse esquecida inteiramente de Julião
Tavares, seríamos felizes." Mas ela
não volte e ao espiar os sons de Marina
ao banheiro (sendo o seu banheiro colado com o
da casa vizinha) descobre que ela se encontrava
grávida. Marina procura os serviços
de d. Albertina, parteira diplomada, para abortar
a criança. Luís a havia seguido
e quando ela sai aborda-a e vocifera palavrões.
Marina não tem coragem de reagir.
O
romance prossegue em um ritmo rápido, com
a raiva que Luís da Silva tinha por Julião
Tavares crescendo exponencialmente. Ele descobre
que Julião Tavares tinha feito nova conquista
e o segue até Bebedouro, local da casa
desta nova "vítima". Quando Tavares
voltava para casa, após várias considerações
e pensamentos difusos, Luís da Silva acaba
estrangulando-o com uma corda. Atordoado e com
medo, Luís da Silva volta para casa e é
tomado por uma forte febre que produz alucinações,
imagens e lembranças que o perturbam. A
narrativa do livro tem início quando ele
desperta do torpor. Ele agora é um homem
destruído e sujo.
Angústia
é um livro forte, e com uma narrativa psicológica
densa. É no entender de Sergius Gonzaga
"um dos romances mais amargos da literatura
brasileira".
Renato Lima
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