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9 April, 2003 10:26
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O Cortiço
de Aluísio de Azevedo
Por
Tailenne
Salgado Martins
Um homem
qualquer, trabalhador e muito economizador adquire
fortuna, amiga-se a uma negra de um cego e sente
cada vez mais sede de riqueza. Arranja confusões
com um novo vizinho(Miranda) ao disputar palmos
de terra. Chega a roubar para construir o que
tanto almejava: um cortiço com casinhas
e tinas para lavadeiras. Prosperou em seu projeto.
João invejava seu vizinho.
Veio
morar na casa de Miranda, Henrique, acadêmico
de medicina, a fim de terminar os estudos. Nessa
casa, além de escravos e sua família
morava um senhor parasita (Botelho, ex-empregado).
D. Estela (esposa de Miranda) andava se "escovando"
com o Henrique, porém acabaram sendo flagrados
pelo velho Botelho.
O cotidiano
da vida no cortiço ia de acordo com a rotina
e a realidade de seus moradores, onde lavadeiras
eram o tipo mais comum.
Jerônimo
(português, alto, 35 a 40 anos), foi conversar
com João oferecendo-lhe serviços
para a sua pedreira. Com custo, depois de prosearem
bastante, João aceitou a proposta, com
a condição dele morar no cortiço
e comprar em sua venda. A mudança de Jerônimo
e Piedade se sucedeu sob comentários e
cochichos das lavadeiras. Após alguns meses
eles foram conquistando a total confiança
de todos, por serem sinceros , sérios e
respeitáveis. Tinham vida simples e sua
filhinha estudava num internato.
No domingo
todos vestem a melhor roupa e se reúnem
para jantar, dançar, festejar, tudo muito
a vontade. Depois de três meses Rita Baiana
volta. Nessas reuniões sobressaia o "Choro",
muito bem representado pela Baiana e seu amante
Firmo. Toda aquela agilidade na dança deixara
Jerônimo admirado ao ponto de perder a noite
em claro pensando na mulata. Pombinha tirava esses
dias para escrever cartas.
Henrique
entretia-se a olhar Leocádia, que em troca
de um coelho satisfez sua vontade física(transa),
quando foram pegos por Bruno(seu marido), que
bateu na mesma e despejou-a de sua casa depois
de fazer um baita escândalo.
Jerônimo
mudou seus costumes, brigava com sua e a cada
dia mais se afeiçoava pela mulata Rita.
Firmo sentia-se enciumado.
Florinda
engravidou de Domingos (caixeiro da venda de João
Romão), o mesmo foi obrigado a casar-se
ou fornecer dotes. Foi aquele rebuliço
em todo cortiço, nada mais falavam além
disso, Florinda viu-se obrigada a fugir de casa.
Léonie(prostituta alto nível) aparece
emperiquitada com sua afilhada Juju, todos admiravam
quanta riqueza, mas nem por isso deixaram sua
amizade de lado. Léonie era muito amiga
de Pombinha.
Na
casa de Miranda era uma festa só! Ele havia
sido agraciado com o título de Barão
do Freixal pelo governo português.
João
indagava-se, por não ter desfrutado os
prazeres da vida, ficando só a economizar.
Diante de tal injúria, com muito mau humor
implicava com tudo e todos do cortiço.
Fez despejar na rua todos os pertences de Marciana.
Acusou-a de vagabunda, acabando ela na cadeia.
A
festa do Miranda esquentava e João recebeu
convite para ir lá, o que o deixou ainda
mais injuriado.
O
forró no cortiço começou,
porém briga feia se travou entre Jerônimo
e Firmo. Barricada impedia a polícia entrar,
o incêndio no 12 fez subir grande desespero,
era um corre-corre, polícia, acidentados
(Jerônimo levou uma navalhada) e para finalizar
caiu uma baita chuva.
João
foi chamado a depor, muitos do cortiço
o seguiram até a delegacia, como em mutirão.
Rita incansavelmente cuidava do enfermo Jerônimo
dia e noite. No cortiço nada se dizia a
respeito dos culpados e vítimas. Piedade
não se agüentava chorando muito descontente
e desesperada por seu marido acidentado. Firmo
não mais entrava por lá, ameaçado
por João Romão de ser entregue a
polícia.
Pombinha
amanheceu indisposta decorrente da visita feita
no dia anterior à Léonie. Esta,
como era de seu costume, atrancou Pombinha em
beijos e afagos, pois era além de prostituta,
lésbica. Isso deixara a menina traumatizada,
que por força e insistência de sua
mãe, saiu a dar voltas atrás do
cortiço, onde cochilou, sonhou e ao acordar
virou mulher. A festa se fez por D. Isabel, ao
saber de tão esperada notícia.
Estava
Pombinha a preparar seu enxoval quando Bruno chegou
e lhe pediu que escrevesse uma carta a Leocádia.
Ele chorava... Ela, ao ver a reação
de submissão dele, desfrutava sua nova
sensação de posse do domínio
feminino. Imaginava furtivamente a vida de todos,
pois sua escrivania servia de confessionário.
Via em seu viver que tudo aquilo continuaria,
pois não haviam homens dignos que merecessem
seu amor e respeito.
Pombinha,
mesmo incerta, casa-se com o Costa, foi grande
a comoção no cortiço.
Surgiu
um novo cortiço ali perto, o "Cabeça
de Gato". A rivalidade com o cortiço
de João Romão foi criada. Firmo
hospedou-se lá, tendo ainda mais motivos
contra Jerônimo.
João,
satisfeito com sua segurança sobre os hóspedes,
investia agora em seu visual e cultura, com roupas,
danças, leituras e uma amizade com Miranda
e o velho Botelho. Ele e o velho estavam tramando
coisa com a filha do Barão. Fez-se um jantar
no qual João foi todo emperiquitado.
João
naquele momento de auge em sua vida, via-se numa
situação em que necessitava livrar-se
da negra, chegou a pensar em sua morte.
Sem
nem mesmo repousar após sua alta do hospital,
Jerônimo foi conversar com Zé Carlos
e Pataca a respeito do extermínio do Firmo.
O
dia corria, João proseava com Zulmira na
janela da casa de Miranda, sentindo-se familiarizado.
Jerônimo foi realizar seu plano encontrando-se
com os outros dois no Garnisé (bar em frente
ao cemitério).
Pataca
entrou no bar, encontrou por acaso com Florinda,
que se ajeitara na vida e dera-lhe notícia
que sua mãe parara num hospício.
Firmo aparece e Pataca o faz sair até a
praia com pretexto de Rita estar lá. Muito
chapado seguiu-o. Lá os três treteiros
espancaram-lhe e lançaram-lhe ao mar.
Chovia
muito e ao ir para casa, Jerônimo desiste
e se dirige à casa da Rita. O encontro
foi efervescente por ambas as partes. Tudo estava
resolvido, fugiriam no dia seguinte.
Piedade,
ao passar das horas, mais desesperada ficava.
Ao amanhecer do dia chorava aos prantos e no cortiço
nada mais se ouvia senão comentários
sobre o sumiço do Jerônimo. A morte
de Firmo já rolava solta no cortiço.
Rita
encontrava-se com Jerônimo. Ele, sonhando
começar vida nova, escreve logo ao vendeiro
despedindo-se do emprego, e à mulher constando-lhe
do acontecido e prometendo-lhe somente pagar o
colégio da garota.
Piedade
e Rita se atracaram no momento em que a mulata
saía de mudança, o cortiço
todo e mais pessoas que surgiram, entraram na
briga. Foi um tremendo alvoroço, acabara
sendo uma disputa nacional (Portugueses x Brasileiros).
Nem a polícia teve coragem de entrar sem
reforço. Os Cabeças de Gato também
entraram na briga. Travou-se a guerra, a luta
dos capoeiristas rivais aumentava progressivamente
quando o incêndio no 88 desatou, ensangüentando
o ar.
A
causa foi a mesma anterior, por um desejo maquiavélico,
a velha considerada bruxa incendiou sua casa,
onde morreu queimada e soterrada, rindo ébria
de satisfação. Com todo alvoroço,
surgia água de todos os lados e só
se pôs fim na situação quando
os bombeiros, vistos como heróis, chegaram.
O
velho Libório (mendigo hospedado num canto
do cortiço) ia fugindo em meio a confusão,
mas João o seguiu. Estava o velho com oito
garrafas cheias de notas de vários valores,
essas que João roubou e fugiu, deixando-o
arder em brasas.
Morrera
naquele incêndio a Bruxa, o Libório
e a filhinha da Augusta além de muitos
feridos. Para João o incêndio era
visto como lucro, pois o cortiço estava
no seguro, fazendo ele planos de expansão
baseado no dinheiro do velho mendigo.
Por
conseqüências do incêndio Bruno
foi parar no hospital, onde Leocádia foi
visitá-lo ocorrendo assim a reconciliação
de ambos.
As
reformas expandiram-se até o armazém
e as mudanças no estilo de João
também alcançavam um nível
social cada vez mais alto. Com amizade fortificada
junto ao Miranda e sua família, pediu a
mão de Zulmira em casamento. Bertoleza,
arrasada e acabada daquela vida, esperava dele
somente abrigo em sua velhice, nada mais.
Jerônimo
abrasileirou-se de vez. Com todos costumes baianos
deleitava-se a viver feliz com a mulata Rita.
Piedade
desolada de tristeza habituara-se a beber e começou
a receber visitas aos domingos de sua filhinha
(9 anos), que logo cativou todo o cortiço,
crismada por todos como "Senhorinha".
Acabados
por desgraças da vida, Jerônimo e
Piedade não mais guardavam rancor um do
outro, ambos se estimavam e em comum possuíam
somente a filha a cuidar. Jerônimo arrependia-se
, mas não voltaria atrás. Deu-se
a beber também.
O
cortiço não parecia mais o mesmo,
agora calçado, iluminado e arrumado todo
por igual. O sobrado do vendeiro também
não ficara para trás nas reformas.
Quem se destacou foi Albino (lavadeiro homossexual)
com a arrumação de sua casa.
A
vida transcorria, novos moradores chegavam. Já
não se lia sob a luz vermelha na porta
do cortiço "Estalagem de São
Romão", mas sim "Avenida São
Romão". Já não se fazia
o "Choradinho" e a "Cana-verde",
a moda agora era o forrobodó em casa, e
justo num desses em casa de das Dores, Piedade
enchera a cara e Pataca é que lhe fizera
companhia querendo agarrá-la depois de
ouvir seus lamentos, mas a caninha surtiu efeito
(vômito) e nada se sucedeu.
João
Romão não pregara os olhos a pensar
no que fazer para dar um fim na crioula Bertoleza.
Agostinho (filho da Augusta) sofrera acidente
na pedreira, ficara totalmente estraçalhado.
Foi aquele desespero no cortiço.
Botelho
foi falar a João logo cedo. Bertoleza ao
ouvir, pôs-se respeito diante da situação
e exigiu seus direitos, discutiram o assunto e
nada resolveram. João se irritara e tivera
a idéia de mandá-la de volta ao
dono propondo esse serviço ao velho Botelho,
que aliás recebia dele remuneração
por tudo que lhe prestava.
Em
volta do desassossego e mau estar de João
e Bertoleza o armazém prosperava de vento
em poupa aumentando o nível dos clientes
e das mercadorias. Sua Avenida agora era freqüentada
por gente de porte mais fino como alfaiates, operários,
artistas, etc.
Florinda
ainda de luto por sua mãe Marciana, estava
envolvida agora com um despachante.
A
Machona (Augusta) quebrara o gênio depois
da morte de Agostinho.
Neném
arrumara pretendente.
Alexandre
fora promovido à sargento.
Pombinha
juntara-se à Léonie e atirara-se
ao mundo. De tanto desgosto, D. Isabel (mãe
de Pombinha) morrera em uma casa de saúde.
Piedade
recebia ajuda da Pombinha para sobreviver, pois
estimava Senhorinha, apesar de saber que o fim
da pobre garotinha seria como o seu. Mesmo assim
Piedade foi despejada indo refugiar-se no Cabeça
de Gato, que tornara-se claramente um verdadeiro
cortiço fluminense.
Ocorreu
um encontro em uma confeitaria na Rua do Ouvidor,
entre a família do Miranda, o Botelho e
o João Romão que puseram-se a prosear.
Na volta, seguindo em direção ao
Largo São Francisco, João e Botelho
optaram em ficar na cidade a conversar sobre o
fim que se daria a crioula. Estava tudo certo,
seu dono iria buscá-la junto á polícia.
Quando
isso sucedeu-se, ao ver-se sem saída, impetuosa
a fugir, com a mesma faca que descamava e limpava
peixes para o João, Bertoleza rasgou seu
ventre fora a fora.
Naquele
mesmo instante João Romão recebera
um diploma de sócio benemérito da
comissão abolicionista.
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