Iracema - José
de Alencar - Romantismo
Análise
feita por Carolina
Bacelar.
O foco narrativo é em 3a. pessoa e o
narrador é onisciente. O narrador participa
da história: "Uma história
que me contaram nas lindas vargem onde nasci".
01. O romance, na definição de
Machado de Assis, é uma "poema em
prosa", é um poema épico-lírico
(para Machado de Assis, é um poema essencialmente
lírico).
1.1. Elementos épicos
- Ver
relação fatos-autor-narrador
( nas epopéias e em Iracema - rever
capítulo I).
- Presença
do "maravilhoso" nas epopéias
e em Iracema.
- Ver
capítulo XI - a nota 5 - a intervenção
do narrador "quebrando" o sentido
mágico.
O
texto é épico por ser narrativo.
José de Alencar narra os feitos heróicos
dos portugueses na figura de Martim. Iracema,
também, é transformada em heroína.
É o vinho de Tupã que permite
a posse de Iracema (presença do "maravilhoso").
Além disso, temos, também, a presença
dos deuses indígenas representando as
forças da natureza.
1.2. Elementos líricos
O
amor de Iracema por Martim: Iracema é
a heroína típica do romantismo,
que padece de saudades do amante, que partiu,
e da pátria que deixou. Ela se enquadra
dentro de uma corrente luso-brasileira cujo
início data das cantigas medievais.
02. A narrativa se fundamenta em pesquisas
históricas ou em lendas da tradição
oral? Como o autor define o romance? Comparar
ficção propriamente dita e as
"notas".
Conclui-se
que "Iracema" se fundamenta tanto
na história do Brasil quanto no relato
oral. Segundo seu autor, é uma lenda:
"Quem não pode ilustrar a terra
natal, canta as suas lendas" (em carta
ao Dr. Jaguaribe, sobre "Iracema").
"Este livro é irmão de Iracema.
Chamo-lhe de lenda como ao outro" (Ubirajara).
Martim
Soares Moreno e Filipe Camarão são
vultos da história do Brasil. Ambos lutaram
contra a invasão holandesa. Martim é
considerado, realmente, o fundador do Ceará
e Poti recebeu a comenda de Cristo e o cargo
de capitão-mor dos índios pelos
seus méritos. Alencar prefere acreditar
no relato oral quando se refere à tribo
tabajara cruel e sanguinária que habitava
o interior, quando a história diz ser
uma tribo litorânea.
03. A narrativa se estrutura em "flash
back". Comprove ( reveja o 1o. e o 32o.
capítulos).
O
texto se abre pelo fim. Iracema, no 1o. capítulo,
já está morta, e Martim, Moacir
e o cachorrinho Japi vão embora na jangada.
O 32o. capítulo narra a morte de Iracema
e o 33o. conta o retorno de Martim para fundar
o Ceará.
04. Análise do enredo.
4.1.
Ponto de partida.
Fato:
é o encontro de Iracema e Martim.
Sentido
Simbólico: o encontro do colonizador
com o colonizado, ou seja, a relação
português X terra brasileira.
4.2.
Elementos da trama - os elementos geradores
do conflito.
O
dilema de Martim: oscila entre a fidelidade
a seu amigo pitigura (Poti) e seu amor por Iracema
(tabajara).
Iracema
não poderia ser desvirginada, pois era
uma espécie de sacerdotisa.
Irapuã,
cacique da tribo, desejava Iracema e funciona
como obstáculo à realização
de Martim.
4.3.
Desfecho
- Ambigüidade:
primitivismo nacionalista X transplantação
cultural.
- Visão
preconceituosa do narrador - capítulo
final - referência a Deus.
- Comparar
batismo indígena de Martim (capítulo
24) ao batismo católico de Poti (capítulo
33).
Martim
volta à terra selvagem para fundar a
Mairi (refúgio) dos Cristãos (Ceará).
Com ele, vem o sacerdote da sua região.
Poti ajoelha-se ao pé da cruz para receber
o mesmo Deus de Martim. Além de perder
a sua religião, perde também a
sua cultura e o seu próprio nome.
Segundo
Alencar, finalmente "germinou a palavra
do Deus verdadeiro na terra selvagem".
Para ele, a cultura do branco e o Deus do branco
são colocados como superiores aos dos
indígenas.
A
cerimônia do batismo de Martim é
episódica e superficial, não havendo
nenhuma transformação básica
em Martim, o que não ocorre com Poti.
05. As tribos indígenas, suas alianças
e conflitos.
As
tribos são os Tabajaras (habitantes do
interior) e os Pitiguaras (habitantes do litoral).
06. Elementos romântico. Sentido da
Natureza (paisagens, animais).
6.1.
Na idealização dos personagens.
Capítulo
2: É a Natureza que serve para pintar
Iracema, a virgem dos lábios de mel,
que tinha os cabelos mais negros que as asas
da graúna, mais longos do que seu talhe
de palmeira. O favo da jati não era doce
como o seu sorriso, nem a baunilha recendia
no bosque como o seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem...
6.2.
Na idealização da terra
Capítulo
1: Verdes mares bravios de minha terra natal,
onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba.
Verdes mares que brilhais como líquida
esmeralda, afaga impetuosa, as brancas areias,
a lua argentando os campos ( para idealizar
a terra, usa a própria Natureza).
07. Associe personagens aos sentimentos e/ou
qualidades.
1. Andira (
3 ) amor, abnegação, dedicação,
sacrifício pelo amado
2. Araquém (
2 ) sabedoria e pendência da velhice
3. Iracema (
5 ) amizade
4. Irapuã (
6 ) afeto familiar fraterno
5. Poti (
1 ) impetuosidade do jovem
6. Caubi (
4 ) ciúme, oposição
08. Valores simbólicos.
8.1.
A palavra Iracema é um anagrama de
AMÉRICA. Comente.
Seria
o símbolo secreto do romance de Alencar,
que é o poema épico definidor
de nossas origens históricas, étnicas
(miscigenação, formação
do povo brasileiro) e, sociologicamente, segundo
Afrânio Peixoto.
Iracema
é o símbolo da terra brasileira
virgem e exótica (Iracema morre assim
como os índios - mostra a docilidade
dos índios).
Como
Iracema se entrega a Martim e é destruída,
a terra brasileira, por permissão dos
índios ( que sofrerão uma aculturação),
passara a ser de posse portuguesa.
8.2.
Iracema: objeto proibido do desejo: posse
do objeto = transgressão.
Comente:
- Postura
de Martim
- O
licor de Jurema
- Postura
de Iracema
Há
proibição de se tocar o corpo
de Iracema. O gesto transgressor seria punido
com a morte. Martim só procura Iracema
sobre os efeitos da droga. Martim não
tem o corpo de Iracema em seus braços,
tem apenas a sua imagem. A virgindade de Iracema
é justificada pela sua situação
dentro da taba, onde ocupa o lugar de sacerdotisa
de Tupã. Qualquer atitude dela para unir-se
a Martim transgride os valores tabajaras. Mas
o amor se revela mais forte e a postura de Iracema
é, desde o início, de desobediência.
O
licor de Jurema é a droga que servirá
como intermediário, isto é, que
servirá para derrubar as barreiras entre
os dois, remetendo a relação para
o nível do inconsciente.
8.3.
Valor simbólico do personagem Moacir.
Moacir
simboliza o 1o. brasileiro nascido da miscigenação
índio X português. Duas vezes filho
da dor de Iracema: dela nascido e, também,
dela nutrido. Tal mescla de vida e morte, de
dor e de alegria, acha-se tematizada pelo leite
branco, ainda rubro do sangue de que se formou.
9.0 Identifique características da
linguagem de Alencar em "Iracema".
Alencar
tenta concretizar a proposta do Romantismo de
construir uma linguagem brasileira. Tenta, então,
escrever um romance usando termos indígenas,
o que revela uma linguagem autenticamente nacional.
Obs.:
a busca de uma linguagem brasileira era reflexo
de uma lusofobia que invadiu o Brasil na época
do Romantismo.
10. Identifique exemplos da Linguagem não
verbal (rever capítulos II, X, XI, XXVI)
Quebrar
a flecha da paz no encontro de Martim e Iracema.
A
flecha atravessando o gaiamum (Iracema deveria
permanecer na cabana esperando a volta de Martim,
não deveria seguir em frente).
O
ramo do maracujá: a flor da lembrança.
Iracema deveria guardar, com a flor, a lembrança
de Martim até morrer.
11. Compare o indianismo de Alencar ao indianismo
de Osvald de Andrade
I.
Relações colonizador X nativo
II.
Valor simbólico do índio: nacionalismo
X primitivismo
I.
Para Alencar, desta relação que
se processou por permissão do índio,
provocou o surgimento do povo brasileiro. Para
Osvald de Andrade, a relação foi
de antropofagia e aculturação:
o português aproveitou-se da fragilidade
do índio para a dominação.
II.
O índio, para Alencar, era a possibilidade
de despertar, no povo brasileiro recém-independente,
o amor pela pátria (nacionalismo ufanista).
Para Osvald de Andrade, é a forma de
criticar o absurdo da dominação
portuguesa, a aculturação e a
destruição de um povo (nacionalismo
crítico).