|
 |
9 April, 2003 10:27
 |
| |
 |
A
Escrava Isaura - Bernardo Guimarães - Romantismo
"O
coração é livre; ninguém
pode escravizá-lo, nem o próprio
dono."
Em
uma magnífica fazenda, no município
de Campos de Goitacases (RJ), morava Isaura, uma
linda escrava de cor de marfim. Isaura era filha
de uma bonita escrava que por não se sujeitar
aos sórdidos desejos do senhor comendador
Almeida (dono da casa) sofreu as mais terríveis
privações. Esta escrava teve um
caso com o feitor Miguel, que era um bom homem
e não aceitou castigá-la como mandou
o seu senhor, sendo Isaura fruto desse relacionamento.
Isaura foi educada pela mulher do comendador,
e era dotada de natural bondade e candura do coração
além de saber ler, escrever, italiano,
francês e piano. A mulher do comendador
tinha desejo de libertar Isaura, porém
não o fazia para conservá-la perto
e assim ter companhia.
O
Sr Almeida se aposenta, retirando-se para a corte
e entrega a fazenda a seu filho Leôncio.
Este era digno herdeiro de todos os maus instintos
e devassidão do comendador. Casou-se por
especulação. Nutre por Isaura o
mais cego e violento amor. Ele chega à
fazenda com sua mulher - Malvina - e seu cunhado
- Henrique. Malvina era mulher dócil e
tratava Isaura muito bem. Henrique era um filho
rico, estudante de medicina, e também ficou
tocado pela beleza de Isaura. Morre a mãe
de Leôncio sem deixar testamento que libertasse
Isaura.
Henrique
rapidamente percebe as intenções
de Leôncio para com Isaura. Temendo que
ele traia sua irmã, adverte-o que não
tolerará tal ato. Henrique se oferece como
amante para Isaura e daria em troca sua liberdade.
O jardineiro da fazenda, um ser disforme e abjetável,
também se oferece como amante. Isaura não
dá atenção a essas propostas,
e diz nunca casar sem amor. Leôncio é
avistado por Henrique e Malvina quando fazia semelhante
proposta à Isaura. Malvina setencia: ou
ela (Isaura) ou eu. No mesmo momento da calorosa
discussão, aparece o pai de Isaura com
o dinheiro suficiente, uma enorme quantia de 10
contos de réis, para comprar a liberdade
dela conforme havia prometido o comendador Almeida.
Leôncio não aceita o dinheiro e dá
desculpas vazias.
Morre
o pai de Leôncio e ele finge imensa tristeza
por dias, o que o alija temporariamente de brigar
com a mulher. Passado certo tempo, Malvina continua
a pressão para que se libertá-se
Isaura. Com as desculpas e adiamentos de Leôncio,
ela decide voltar à casa do seu pai. A
sua saída era caminho livre para os intentos
indecentes de Leôncio. Como Isaura continuava
a resistir, Leôncio ameaça com torturas.
Miguel, sabendo do acontecido, decide fugir com
Isaura para o Norte.
Chegando
em Recife, a linda Veneza Americana, Isaura muda
seu nome para Elvira e Miguel para Anselmo passando
a morarem numa chácara no bairro de Santo
Antônio. Álvaro era um moço
rico, filho de uma distinta e opulente família,
liberal, republicano e abolicionista extremado.
Ele avista Isaura ao passear perto da sua chácara
e a conhece, passando a visitá-la constantemente.
Álvaro se utiliza de todos os meios para
convencer Isaura a ir a um baile com ele. Isaura
não queria ir para não enganar a
sociedade e iludir o seu amante. Ela por diversas
vezes tentou contar a Álvaro que se tratava
de uma escrava fugida, mas não tinha coragem.
Ela só aceita ir diante do argumento de
que tanta reclusão estaria despertando
a atenção da polícia. Isaura
sente um mau presságio desse baile.
No
baile, Isaura se destaca no meio de todas as mulheres
devido a sua beleza e por tocar muito bem piano.
Contudo, é reconhecida por Martinho - um
estudante de sórdida ganância e espírito
de cobiça - que havia guardado um anúncio
de escravo fugido. Ele provoca um escândalo
durante o baile e Isaura confessa diante de toda
a sociedade se tratar de uma escrava. Álvaro,
não obstante, defende-a e devido a sua
influência a toma por fiador, sem deixar
que ela caísse nas mãos imundas
de Martinho. Este, sem conseguir levá-la,
escreve para Leôncio informando que havia
achado sua escrava.
Graças
a valiosa intervenção de Álvaro,
Miguel e Isaura continuam na sua chácara
em Santo Antônio na espera das ações
que ele havia prometido tomar. Isaura conta que
fugiu para escapar do amor de um senhor libidinoso
e cruel. Enquanto Álvaro se encontrava
na chácara, Leôncio aparece para
sua surpresa e exige levar Isaura. Leôncio
encontrava-se munido de um mandado de prisão
contra Miguel e guardas para levar sua escrava.
A aparição é seguida de forte
discussão e Álvaro avança
contra Leôncio. A briga é cessada
com a aparição de Isaura que se
entrega ao seu senhor.
Isaura
volta a fazenda onde fica na mais completa reclusão.
Leôncio se reconciliara com Malvina, pois
iria precisar do seu dinheiro. Miguel é
ludibriado na cadeia e convencido
a tentar persuadir Isaura a se casar com Belchior,
o jardineiro da fazenda, em troca da liberdade
sua e da filha.
Isaura
aceita o sacrifício pois estava sem forças
e sem esperança. Leôncio já
havia tomado todas as providências para
o casamento, quando é informado que alguns
cavalheiros chegaram. Pensando se tratar do vigário
e do tabelião, mando-os entrar. É
tomado de surpresa ao avistar Álvaro. Este
tinha ido ao Rio de Janeiro e descobre com alguns
comerciantes que Leôncio estava falido.
Compra os seus créditos e fica dono de
toda a dívida de Leôncio.
Álvaro
afirma a Leôncio que nada mais o pertence,
que toda a sua fazenda incluindo os escravos passavam
a ser dele com a execução dos débitos.
Isaura abraça Álvaro. Leôncio
jura que nunca irá implorar a sua generosidade
para abrandar a dívida. Ele ausenta-se
da sala e se suicida.
Renato Lima
|
 |
 |
|
|
|
 |
|
|
| |
|
|
|