O
Primo Basílio - Eça de Queirós
Basílio,
primo de Luísa, está para chegar
à cidade. Luísa é uma linda
mulher que gosta de ler romances e passou a
infância e o primeiro namoro com o primo
que era moço rico, mas que tornou-se
pobre e veio ao Brasil, onde reconstituiu a
riqueza e esteve viajando pela Europa. Luísa
trocava correspondências com Basílio
e três após sua partida dele conheceu
Jorge, que de início não a agradou
fisicamente, mas que resolveu casar quando ele
falou: "Vamos casar , hem". Jorge
é Engenheiro de Minas e durante o verão
no Norte passa um período de trabalho
fora de casa em São Domingos. Luísa
é comportada, amiga íntima de
Leopoldina, uma moça casada com João
Noronha, empregado da Alfândega, mas Jorge
não gosta muito dessa amizade. Embora
sempre com pessoas por perto, Conselheiro Acácio
"modelo de mediocridade pomposa e satisfeita
consigo mesma "1, Sebastião, D.
Felicidade, Juliana, Joana ,e etc, Luísa
não resiste aos encantos do primo Basílio
e acaba relacionando-se na ausência do
marido na reçém-chegada do antigo
namorado a Lisboa. Juliana, criado de Luísa,
consegue adquirir cartas românticas que
demonstravam o relacionamento dos primos e inicia
uma chantagem. Juliana esgota Luísa,
faz a "madame burguesa" passar por
todos os apertos de ser empregada, Basílio
desaparece e deixa a amante aos planos de Juliana.
Luísa busca uma maneira de adquirir as
cartas e consegue via Sebastião, um amigo
da família. Jorge chega do período
de trabalho em São Domingos. Luísa
acaba por adoecer e morrer e Jorge descobre
que a infidelidade da esposa .
COMENTÁRIO
O
livro é uma crítica profunda aos
padrões burgueses e tenta demonstrar,
a todo momento, as características maléficas
dessa classe, sobretudo a lisboeta, como afirma
o próprio autor em carta a Teófilo
Braga: "...e você vendo-me tomar
a família como assunto, pensa que eu
não devia atacar essa instituição
eterna, e devia voltar o meu instrumento de
experimentação social contra os
produtos transitórios, que se perpetuam
além do momento que os justificou, e
que de forças sociais passaram a ser
empecilhos públicos. Perfeitamente: mas
eu não ataco a família - ataco
a família lisboeta - a família
lisboeta produto do namoro, reunião desagradável
de egoísmos que se contradizem, e mais
tarde ou mais cedo centro de bambochata. Em
O Primo Basílio que apresenta, sobretudo,
um pequeno quadro doméstico, extremamente
familiar a quem conhece bem a burguesia de Lisboa(...)"
Marcelo Sandes