Amor
de Salvação - Camilo Castelo Branco
Amor
de Salvação é uma novela
passional, considerada pela crítica uma
das obras mais bem acabada do autor. A história
relata lembranças que são contadas
ao narrador pelo protagonista, em uma noite
de Natal, após um reencontro entre
os dois que não se viam há quase
doze anos.
Afonso
e Teodora foram prometidos um ao outro, por
suas mães que eram amigas desde os tempos
em que estudavam num convento. Após a
morte da mãe, Teodora vai para um convento
e tem como tutor seu tio, pai de Eleutério
Romão. Teodora e Afonso estão
sempre em contato aguardando o tempo certo para
casarem. Afonso resolve estudar fora por dois
anos. Teodora influenciada pela amiga Libana
quer casar-se o mais rápido possível.
A mãe de Afonso, D. Eulália, pede-lhe
para aguardar. Mas com a saída de Libana
do convento Teodora se desespera e resolve casar-se
com seu primo, Eleutério, para
libertar-se das grades do convento.
Eleutério
era o oposto a beleza de Teodora, era rude e
vestia-se de forma hilariante. Apesar da grande
tentativa de seu tio, o padre Hilário,
em ensinar-lhe a ler, nada conseguiu. Vencido
pela incapacidade de seu sobrinho, Padre Hilário
desistiu afirmando que somente através
de uma fresta no cérebro, aberta a machado,
seria possível tal façanha. Teodora
viveu em pompas, trajes de sedas, cavalos, bailes,
etc., mas nunca esquecera Afonso, enviava-lhe
cartas de amor mas nunca obtivera resposta.
Afonso
sofreu muito com a notícia do casamento
de Teodora, pediu a mãe permissão
para se ausentar de Portugal. Contava sempre
com o apoio e o consolo das cartas de sua mãe
e sua prima Mafalda, que o amava pacientemente.
Após anos de amargura, sofrimento e luta
contendo-se diante das cartas de Teodora, para
não fugir aos ensinamentos religiosos
aos quais sua mãe o educou, foi fulminado
pela influencia do amigo José de Noronha
que o incentivou a escrever à Teodora.
Relutou mas não conseguiu. A tal carta
foi cair nas mãos de Eleutério,
leu mas nada entendeu. Pediu então a
um amigo ajuda para interpretá-la. A
carta acabou sendo rasgada por Fernão
de Teive, dando a desculpa de serem grandes
sandices, após junto com sua filha Mafalda,
reconhecer as intenções do remetente,
seu sobrinho Afonso de Teive. Não conformado
Afonso parte ao encontro de Teodora. Eleutério
quando os encontra juntos, pede-lhes explicações.
Teodora responde-lhe que é uma
mulher livre a partir daquele momento, e vai
viver com Afonso. Passam momentos, ilusoriamente,
felizes. Afonso abandona até a sua própria
mãe para viver ardentemente esta paixão
que sempre o consumiu. Sua mãe sempre
afetuosa, apesar da grande tristeza, sustenta
a vida luxuosa que Afonso tem ao
lado de Teodora .
Afonso
quando fica sabendo da morte de sua mãe,
através de carta escrita por Mafalda,
se desespera. Teodora tenta consolá-lo,
mas ele sente em suas palavras ironia e sente
nojo de tamanho fingimento. Procura isolar-se
de Teodora e dos amigos. Durante este período,
Tranqueira, velho criado da família,
alerta-o sobre as intenções do
amigo José de Noronha por Teodora. No
início se revolta contra o criado, mas
acaba escutando-o e passa a observá-los.
Encontra umas cartas que confirmam as suspeitas.
Certo dia os pega juntinhos com gestos de muita
familiaridade. Aborrece-se pede para que
Noronha saia de sua casa. Teodora dissimulada
como sempre, tenta enganá-lo, mas ele
atira-lhe as cartas. Teodora desmaia enquanto
Tranqueira derruba Noronha na cisterna para
vingar seu patrão.
Afonso
passa alguns dias fora de casa, quando retorna
encontra uma carta de Toedora informando os
pertences que havia levado consigo. Apesar de
traído sente saudade da encantadora
Teodora. Vende tudo e parte para Paris
atrás de um amor que o salve. Gasta tudo
o que tem. Por fim, pede ao seu tio Fernão
para comprar-lhe a casa onde viveram seus pais
e avós, pois não queria ofender
a memória de sua mãe que
o havia pedido, em carta antes morrer que não
a vendesse. Mafalda com seu coração
generoso e cheio de amor pelo primo, pede a
seu pai que o atenda, e este assim o faz mas,
com a condição de que a casa continuaria
sendo de Afonso. Afonso afunda-se cada vez mais
em seus vícios e extravagâncias
a ponto de querer suicidar-se. Tranqueira, que
nunca o abandonou, percebeu sua intenção
e disse-lhe severas palavras que o livraram
de tamanha loucura. Mudou de vida, passou a
trabalhar e a estudar com apoio de seu criado.
Fernão
de Teive adoece, e prestes a morrer pede ao
padre Joaquim que vá a Paris entregar
a Afonso, os documentos de propriedade da casa
a qual comprara, apenas com intuito de ajudar
o sobrinho. Após a morte de Fernão,
Mafalda sentindo-se sozinha, resolve viajar
com o padre Joaquim para Paris com a objetivo
de juntar-se as irmãs de caridade. Quando
o padre Joaquim encontra Afonso e conta-lhe
da morte do tio, este chora e corre ao encontro
da prima que ficara em uma hospedaria.
Mafalda
conta ao primo sua decisão, mas padre
Joaquim pede-lhes, pelo amor de Deus, que ao
invés disso, casem-se. Afonso aceitou
de imediato e agradeceu à Deus por ter
ouvido os pedidos de suas mães.
Afonso e Mafalda voltaram para sua cidade, casaram-se,
tiveram oito filhos e foram muito felizes. Apesar
do título “Amor de Salvação”
a novela relata em quase toda sua extensão,
um “amor de perdição” entre Afonso
de Teive e Teodora Palmira. Ao “amor de salvação”,
Mafalda, são dedicadas somente as ultimas
páginas do romance.
Sueli
Rodrigues